Escola na prisão de mulheres: o esperançar em vivências cotidianas e construção de identidades

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Data

2025-06-30

Autor

TAVARES, Suzianne Silva

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Editor

Universidade do Estado do Pará

Resumo em português

presente trabalho aborda, no âmbito das ciências humanas e, mais especificamente, no campo educacional, o processo de construção das identidades das mulheres privadas de liberdade no Centro de Reeducação Feminino (CRF), presídio feminino localizado no município de Ananindeua/PA. Apresenta como questão-problema: Como mulheres constroem sua identidade de gênero e o esperançar na vivência cotidiana de uma escola prisional no estado do Pará? A pesquisa de campo foi realizada em 2023, com um grupo de seis interlocutoras, todas matriculadas na escola prisional e que se autodeclaram negras, as quais foram entrevistadas e participaram do momento de elaboração dos desenhos, de modo a representar seus sonhos e o cotidiano em cárcere de uma forma menos apreensiva/diretiva. Objetiva analisar como mulheres constroem sua identidade de gênero e o esperançar na vivência cotidiana na escola prisional, ‘Janela para a Vida’, de modo a verificar como os rituais desta escola pensada para homens viabiliza a construção de identidades de gênero; como as desigualdades de gênero vivenciadas no cotidiano carcerário feminino influenciam o fracasso ou sucesso escolar das mulheres no cárcere; como a escola prisional trabalha pedagogicamente questões referentes às mulheres; e, ainda compreender como as mulheres em sua vivência cotidiana na escola prisional fomentam o esperançar e superam a lógica do sistema prisional masculino. Consiste em uma pesquisa de campo qualitativa de abordagem dialética sendo desenvolvida a partir dos seguintes procedimentos metodológicos: técnica do grupo focal com o uso de dinâmicas pedagógicas, roda de conversa, técnica do desenho e entrevista narrativa. A sistematização e análise dos dados foi desenvolvida com base nos estudos de Paulo Freire sobre a técnica da categorização, análise de conteúdo (Bardin, 2007) e a técnica do desenho (campo da representação social). Os desenhos elaborados pelas participantes do estudo foram analisados consoante o uso das categorias temática (identidade de gênero, mulheres no cárcere, educação no cárcere; colonialidade de gênero; cotidiano; esperançar), os quais ampliam as discussões levantadas no lócus de pesquisa, representado por sua complexidade e dinamismo. Nessa perspectiva, a pesquisa aponta que, apesar de as identidades dessas mulheres sofrerem as influências das desigualdades de gênero, da violência, da dominação, da invisibilidade, elas também, através do movimento da metamorfose, buscam em seu cotidiano desenvolver relações de amizade e companheirismo que contribuem para a ressignificação de si e do espaço de convivência na prisão. Nesse cenário, o encarceramento demarca, então, não somente um episódio triste na vida dessas mulheres, caracterizado pela desapropriação de si e de sua identidade, mas um desafio entre o seu próprio eu e os seus pares, marcado pelo reencontro com as possíveis transformações que se pretendem alcançar para além das grades.

Resumo em língua inglesa

This paper addresses, within the scope of human sciences and, more specifically, in the educational field, the process of constructing the identities of women deprived of liberty in the Women's Reeducation Center (CRF), a women's prison located in the city of Ananindeua/PA. It presents as a problem-question: How do women construct their gender identity and hope in the daily life of a prison school in the state of Pará? The field research was carried out in 2023, with a group of six interlocutors, all enrolled in the prison school and who declare themselves black, who were interviewed and participated in the moment of elaboration of the drawings in order to represent their dreams and daily life in prison, in a less apprehensive/directive way. The aim is to analyze how women construct their gender identity and hope in their daily lives at the “window to life” prison school, in order to verify how the rituals of this school designed for men enable the construction of gender identities; how gender inequalities experienced in the daily lives of women in prison influence the failure or success of women in school; how the prison school pedagogically addresses issues related to women; and also to understand how women in their daily lives at the prison school foster hope and overcome the logic of the male prison system. It consists of a qualitative field research with a dialectical approach being developed based on the following methodological procedures: focus group technique with the use of pedagogical dynamics, conversation circle, drawing technique and narrative interview. The systematization and analysis of the data was developed based on Paulo Freire's studies on the technique of categorization, content analysis (Bardin, 2007) and the technique of drawing (field of social representation). The drawings produced by the study participants were analyzed according to the use of thematic categories (gender identity, women in prison, education in prison; gender coloniality; everyday life; hope), which broaden the discussions raised in the research locus, represented by their complexity and dynamism. From this perspective, the research indicates that although the identities of these women are influenced by gender inequalities, violence, domination and invisibility, they also, through the movement of metamorphosis, seek in their daily lives to develop relationships of friendship and companionship that contribute to the resignification of themselves and the space of coexistence in prison. In this scenario, imprisonment is not only a sad episode in the lives of these women, characterized by the dispossession of themselves and their identity, but also a challenge between themselves and their peers, marked by the rediscovery of the possible transformations that they hope to achieve beyond the bars.

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Palavras-chave em português

Palavras-chave

Mulher no cárcere, Escola na prisão, Identidade de gênero, Woman in prison, School in prison, Gender identity

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Referência

TAVARES, Suzianne Silva. Escola na prisão de mulheres: o esperançar em vivências cotidianas e construção de identidades. Orientadora: Ivanilde Apoluceno de Oliveira. 2025. 176 f. Tese (Doutorado em Educação) – Centro de Ciências Sociais e Educação, Universidade do Estado do Pará, UEPA, Belém, 2025.