A Constituição arquitetônica de um intérprete de libras LGBTIA+ na Educação de pessoas surdas: a transgressão como ato ético
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Data
2024-11-06
Autor
RODRIGUES, Fábio Augusto Teixeira
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Editor
Universidade do Estado do Pará
Resumo em português
Quando se trata da educação de pessoas surdas, um dos aspectos importantes é a acessibilidade, a qual está relacionada com a pessoa intérprete de Libras. Em virtude da constituição histórica desta profissão, algumas regras foram sendo assimiladas, embora não contemplem a pluralidade. Nesse contexto, destaca-se o que se convencionou chamar por “código de ética”, que estabelece quais são as condições de atuação, especificamente a premissa da neutralidade durante o fazer laboral. Diante disso, há a seguinte questão-problema: haja vista que o discurso oficial, assimilado pelos manuais e associações, preconiza a dissociação corpo e exercício profissional, como ocorre a constituição arquitetônica da pessoa intérprete de Libras LGBTIA+? Esta pesquisa tem como objetivo analisar a constituição arquitetônica do intérprete de Libras LGBTIA+ na educação de pessoas surdas. O aporte teórico-metodológico está alicerçado na filosofia do ato, de Mikhail Bakhtin ([1920-1924] 2017), e na teoria queer, de Judith Butler ([1990] 2003; 2022). Com relação à coleta dos enunciados, realizou-se uma consulta nos documentos do Ministério da Educação e da Federação Brasileira das Associações dos Profissionais Tradutores e Intérpretes e Guia-Intérpretes de Língua de Sinais, especificamente o código de ética. Além disso, foi utilizada a entrevista semiestruturada e realizada com um participante. Os resultados indicam a posição do ofício de interpretação de Libras constituído por um discurso de manutenção da heterossexualidade compulsória, materializado pelo discurso de uma suposta impessoalidade no exercício profissional. Assim, conclui-se a constituição intersubjetiva da pessoa intérprete de Libras, com ênfase em uma noção de neutralidade/impessoalidade, à qual é oriunda de um discurso cristão-evangélico, caracterizado no plano do gênero/sexualidade, por limitar as performatividades. Do mesmo modo, aponta-se para a ação responsável do participante, pautada no exercício transgressivo e consciente, de um agir profissional concreto, em que ele atua mobilizando todos os valores que o constituem, de modo a constituir uma arquitetônica do ato e em tensão com o discurso oficial, incorporado nos documentos oficiais.
Resumo em língua inglesa
When it comes to the education of deaf people, one of the important aspects is accessibility, which is related to the Brazilian Sign Language (Libras) interpreter. Due to the historical constitution of this profession, some rules were being assimilated, although they do not contemplate plurality. In this context, what stands out is what has become known as the “code of ethics”, which establishes the conditions of action, specifically the premise of neutrality during work. In view of this, there is the following question-problem: given that the official discourse, assimilated by manuals and associations advocates the dissociation of body and professional practice, how does the architectonic constitution of the LGBTIA+ Brazilian Sign Language interpreter occur? This research aims to analyze the architectonic constitution of the LGBTIA+ Brazilian Sign Language interpreter in the education of deaf people. The theoretical-methodological contribution is based on the Philosophy of the Act, by Mikhail Bakhtin ([1920-1924] 2017), and on the Queer theory, by Judith Butler ([1990] 2003, 2022). Regarding the collection of utterances, a consultation was carried out in the documents of the Ministry of Education and the Brazilian Federation of Associations of Professional Translators and Interpreters and s Brazilian Sign Language Guide-Interpreters, specifically the code of ethics. In addition, a semi-structured interview was used and conducted with one participant. The research results indicate the position of the Brazilian Sign Language interpretation profession constituted by a discourse of maintenance of compulsory heterosexuality, materialized by the discourse of a supposed impersonality in the professional exercise. Thus, the intersubjective constitution of the Brazilian Sign Language interpreter is concluded with an emphasis on a notion of neutrality/impersonality, which comes from a Christian-evangelical discourse, characterized, in terms of gender/sexuality, by limiting performativities. It also points to the responsible act of the participant, based on the transgressive and conscious exercise of a concrete professional action, in which he acts by mobilizing all the values that constitute him, in order to constitute an architectonic of the act and in tension with the official discourse, incorporated in the official documents.
Resumo em outro idioma
Palavras-chave em português
Palavras-chave
Intérpretes de libras LGBTIA, Documentos oficiais, Performatividades de gênero, Tensões, Arquitetônica, LGBTIA+ brazilian sign language interpreters, Official documents, Gender performativities, Tensions, Architectonic
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Referência
RODRIGUES, Fábio Augusto Teixeira. A Constituição arquitetônica de um intérprete de libras LGBTIA+ na Educação de pessoas surdas: a transgressão como ato ético. Orientador: José Anchieta de Oliveira Bentes. 2024. 121f. Dissertação (Mestrado em Educação)- Centro de Ciências Sociais e Educação, Universidade do Estado do Pará, Belém, 2024.